HOMENAGEM
À NOSSA EXCELSA E SOBERANA RAINHA
NOSSA
SENHORA DA CONCEIÇÃO APARECIDA
Neste mês de outubro, transcrevemos logo
abaixo aos nossos leitores um texto publicado na Folha de São Paulo há mais de
40 anos pelo insigne líder católico, Dr. Plínio Correa de Oliveira , em prece à
Nossa Senhora Aparecida por ocasião da proximidade do sesquicentenário de nossa
Independência.
A oração, apesar das quatro décadas que nos
separam da pena que a escreveu é de uma atualidade impar.
************
Folha
de S. Paulo, 16 de janeiro de 1972
Prece no sesquicentenário
Ó Senhora Aparecida.
(...)
AGRADECIMENTO
(...)
Agradecemo-Vos o território de dimensões
continentais, e as riquezas que nele pusestes.
Agradecemo-Vos a unidade do povo, cuja
variegada composição racial tão bem se fundiu neste grande caudal étnico de
origem lusa — e cujo ambiente cultural, inspirado pelo gênio latino, tão bem
assimilou as contribuições trazidas por habitantes de todas as latitudes.

Agradecemo-Vos nossa História, serena e
harmoniosa, tão mais cheia de cultura, de preces e de trabalho, do que
desavenças e de guerras.
Agradecemo-Vos nossas guerras justas,
iluminadas sempre pela auréola da vitória.
Agradecemo-Vos nosso presente, tão cheio de
realizações e de esperanças de grandeza.
Agradecemo-Vos as nações deste Continente,
que nos destes por vizinhas, e que, irmanadas conosco na Fé e na raça, na
tradição e nas esperanças do porvir, percorrem ao nosso lado, numa convivência
sempre mais íntima, o mesmo caminho de ascensão e de êxito.

Agradecemo-Vos o nos terdes feito chegar a
este estágio de nossa História, no momento em que pelo mundo sopram
tempestades, se acumulam problemas,
terríveis opções espreitam, a cada passo, os indivíduos e os povos. Pois
esta é, para nós, a hora de servir ao mundo, realizando a missão cristã das
nações jovens deste hemisfério, chamadas a fazer brilhar, aos olhos do mundo, a
verdadeira luz que as trevas jamais conseguirão apagar.
PRECE
Nossa oração, Senhora, não é, entretanto, a
do fariseu orgulhoso e desleal, lembrado de suas qualidades, mas esquecido de
suas faltas.
Pecamos. Em muitos aspectos, nosso Brasil
de hoje não é o País profundamente cristão com que sonharam Nóbrega e Anchieta.
Na vida pública como na dos indivíduos, terríveis germes de deterioração se
fazem notar que mantêm em sobressalto todos os espíritos lúcidos e vigilantes.
Por tudo isto, Senhora, pedimo-Vos perdão.
E, além do perdão, Vos pedimos forças. Pois
sem o auxílio vindo de Vós, nem os fracos conseguem vencer suas fraquezas, nem
os bons alcançam conter a violência e as tramas dos maus.
Com o perdão, ó Mãe, pedimo-Vos também a
bênção.
Quanto confiamos nela!
Sabemos que a bênção da Mãe é preciosa
condição para que a prece do filho seja ouvida, sua alma seja rija e generosa,
seu trabalho seja honesto e fecundo, seu lar seja puro e feliz, suas lutas
sejam nobres e meritórias, suas venturas honradas, e seus infortúnios
dignificantes.
Quanto é rica destes, e de todos os outros
dons imagináveis, a Vossa bênção, ó Maria, que sois a Mãe das mães, a Mãe de
todos os homens, a Mãe Virginal do Homem-Deus!
Sim, ó Maria, abençoai-nos, cumulai-nos de
graças, e mais do que todas, concedei-nos a graça das graças. Ó Mãe, uni
intimamente a Vós este Vosso Brasil.
Amai-o mais e mais.
Tornai sempre mais maternal o patrocínio
tão generoso que nos outorgastes.
Tornai sempre mais largo e mais
misericordioso o perdão que sempre nos concedestes.

Fazei-nos sempre mais amantes da paz, e
sempre mais fortes na luta pelo Príncipe da Paz, Jesus Cristo, Filho Vosso e
Senhor nosso.
De sorte que, dispostos sempre a abandonar
tudo para lhe sermos fiéis, em nós se cumpra a promessa divina, do cêntuplo
nesta terra e da bem-aventurança eterna.
*
Ó Senhora Aparecida, Rainha do Brasil! Com
que palavras de louvor e de afeto Vos saudar no fecho desta prece de ação de
graças e súplica? Onde encontrá-las, senão nos próprios Livros Sagrados, já que
sois superior a qualquer louvor humano?
De Vós exclamava, profeticamente, o povo
eleito, palavras que amorosamente aqui repetimos:
— “Tu gloria Jerusalem, tu laeticia Israel,
tu honorificentia populi nostro”.
Sois Vós a glória, Vós a alegria, Vós a
honra deste povo que Vos ama.
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