O DRAMA DA FALTA D’ÁGUA EM ITU SOB UM OLHAR PROVIDENCIAL
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A Seca , a Fé e a Chuva
Marcos Luiz Garcia

(Ao lado foto de reservatório de água em Itu-SP)
Comentando o fato com um amigo
de Minas Gerais, ele recordou que, em tempos idos, o clero promovia procissões
que saíam da igreja matriz rumo a um Cruzeiro da cidade para pedir a Deus que
enviasse chuva. Muitas crianças ainda inocentes seguiam a procissão portando
garrafinhas d’água. Ao chegarem, elas eram orientadas a derramar a água junto
aos pés da grande Cruz. E a chuva não tardaria.
Outro mineiro, que costuma
fazer a revisão de meus artigos, acrescentou ter ele mesmo, juntamente com dois
irmãos, também quando crianças, conduzido em procissão pela mãe levando um
pequeno recipiente com água da porta da casa da fazenda onde vivia até o
Cruzeiro que ficava sobranceiro sobre um monte. Ali, após algumas orações,
fazia-se a Deus o pedido da chuva ao mesmo tempo em que os inocentes derramavam
a água aos pés Cruz. Segundo ele, isso ocorreu há mais de 60 anos, e, naquele
mesmo dia, à noite, a chuva caiu abundante.

Infelizmente, nos dias que
correm não se percebe mais fé entre as pessoas, como também e, sobretudo, em
larguíssima parcela do clero. Para não falar de nossos governantes mais
inclinados a promover uma pajelança ou “dança da chuva” que rezar ou promover
uma procissão.
Como seria edificante e eficaz
a convocação feita por um Cardeal e Bispos seguidos do clero aos fiéis para a
realização de um ato religioso a fim de implorar a Deus misericórdia pelos
pecados, prometendo antes sincera conversão e, com tal disposição, rogar a Deus
que chova o quanto antes. Com certeza, o povo atenderia em grande medida tal
iniciativa.
Resta saber se o clero, muito mais
engajado em assuntos como invasões de terra e de imóveis urbanos, levante de
índios e negros contra brancos, arengando sempre contra o direito de
propriedade, jogando pobres contra ricos, atores sentimentais que vivem
promovendo festas, pois entendem eles hoje que “Jesus quer nos fazer felizes”.
Aliás, felicidade essa com significado de mero prazer e que tudo justifica. Os
Mandamentos não são mais levados em conta, espalhando a vivência de que tudo
corre normalmente, Deus não está desagradado com as faltas de seus filhos.
Nem todos os sacerdotes
procedem assim, e há verdadeiros heróis que cumprem seu dever. Infelizmente,
por isso mesmo, sofrem perseguição atroz de seus pares ou mesmo até de
superiores…
A verdade é que voltar-se para
Deus, prometer emenda de vida e implorar misericórdia quase ninguém quer fazer.
Faço duas perguntas, a
propósito da chuva:
E se Deus não permitir que
chova até que os homens se voltem para Ele, como aconteceu no tempo de Elias
profeta?
Mas creio isso está fora de
cogitação do homem de hoje.
E se, por um prodígio de
paciência, Deus permitir que chova, aguardando ainda mais pela conversão do
homem, ele seguirá como se Deus não existisse, pensando exclusivamente em si? O
grande Santo Agostinho tinha razão ao afirmar que “Deus é amigo do homem e quer
a sua salvação. O que falta é o homem querer ser amigo de Deus”.
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